Ilha montanha acolheu Encontro de Mulheres na Pesca

27 09 2011

   

A Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca nos Açores, levou a efeito em São Roque do Pico, entre 15 e 18 de Setembro, um encontro de âmbito regional onde participaram dezena e meia de mulheres da pesca de diferentes ilhas.

Intercâmbio, debate e reflexão sobre a situação das mulheres na pesca artesanal nos Açores   motivou a realização deste encontro na ilha do Pico, organizado em parceria entre a Ilhas em Rede e a UMAR-Açores. Da iniciativa fez parte a apresentação pública do projecto “Caminhos em Terra e no Mar”, incluindo os resultados preliminares de um estudo/levantamento sobre receitas de chicharro, a apresentação de uma peça de Teatro Fórum (Teatro do/a Oprimido/a), uma exposição de fotografias “Mulheres semeando um outro Mar” e a exibição do documentário “comPassos de Mudança”.

As actividades decorreram na Biblioteca Pública de São Roque e foram abertas à população que assim teve oportunidade de ficar a conhecer melhor a realidade, ainda para muitos desconhecida, das mulheres da pesca nos Açores. Realidade que inclui, entre outras funções, saídas para o mar, preparação em terra das artes de pesca e todo o trabalho logístico e administrativo inerente a uma embarcação de pesca.

Do encontro fez parte também a realização de uma Assembleia Geral da Ilhas em Rede, onde foi apresentado e colocado a votação o Plano de Actividades para 2012. Este foi aprovado por unanimidade, inclui a realização de encontros de debate e reflexão, formação em diversas áreas, participação em actividades e eventos relacionados com a pesca.

A iniciativa contou com o apoio das Câmaras Municipais de São Roque e Madalena do Pico, Descalças Cooperativa Cultura, Pousadas de Juventude dos Açores, Biblioteca Municipal de São Roque do Pico e Subsecretaria Regional das Pescas.

Texto: Laurinda Sousa

Fotos: Joana Medeiros e Catarina Fernandes

    

     

     

     

    

   

    

   

   

   

 





Ilhas em Rede reúne no Pico

14 09 2011

A Ilhas em Rede, Associação de Mulheres da Pesca nos Açores, leva a efeito em São Roque na ilha do Pico, entre 15 e 18 de Setembro, um encontro de âmbito regional, no qual se espera participem cerca de duas dezenas de mulheres de diferentes ilhas. 

Intercâmbio, debate e reflexão sobre a situação das mulheres na pesca artesanal é motivo deste encontro do qual faz parte ainda a apresentação pública do projecto “Caminhos em Terra e no Mar”, da UMAR-Açores, incluindo os resultados preliminares de um estudo / levantamento sobre receitas de chicharro, a apresentação de uma peça de Teatro Fórum (Teatro do/a Oprimido/a), a exposição de fotografias “Mulheres semeando um outro Mar” e a exibição do documentário “ComPassos de Mudança”.

As actividades mencionadas terão lugar na Biblioteca Pública de São Roque do Pico e serão abertas ao público que assim poderá ficar a conhecer melhor a realidade, ainda para muitos desconhecida, das mulheres da pesca nos Açores. Uma realidade que inclui, entre outras funções, saídas para o mar (pescadoras de mar), preparação em terra das artes de pesca (pescadoras de terra) e o trabalho logístico e administrativo inerente a uma embarcação de pesca, trabalho este desempenhado na maioria das vezes pelas esposas dos pescadores/armadores e que ainda não é suficientemente reconhecido e valorizado.

Para além das actividades já mencionadas, a ocasião será aproveitada pela Ilhas em Rede para a realização de uma Assembleia Geral, onde será apresentado e colocado a votação o Plano de Actividades para 2012.

Este encontro das mulheres da pesca no Pico conta com a parceria da UMAR-Açores, Câmara Municipal de São Roque do Pico e Descalças Cooperativa Cultura. A iniciativa conta ainda com o apoio da Subsecretaria Regional das Pescas, Biblioteca Municipal de São Roque, Câmara Municipal da Madalena do Pico e Pousadas de Juventude dos Açores.





Entrevista a Lurdes Moniz, mulher da pesca de Rabo de Peixe

1 09 2011

Maria de Lurdes Moniz é uma mulher da pesca natural da bonita Vila de Rabo de Peixe. Tem 6 filhos/as, três raparigas e três rapazes.

Lurdes Moniz sempre esteve ligada à pesca, o seu pai era vendedor de peixe. Porém quando se casou com Artur Carreiro a sua ligação com a pesca tornou-se mais forte. Começou a trabalhar na pesca, cozia batata para o engodo, lavava todos os dias as “mangas” usadas para colocar o engodo, remendava redes e entre tudo isso era mãe e esposa.

É com alguma melancolia que Lurdes Moniz vê as dificuldades que o sector piscatório está a ultrapassar, é cada vez mais difícil viver e sustentar uma família com o dinheiro fruto do trabalho no mar. Segundo ela, ainda há quem diga que os pescadores/as não sabem gerir os seus rendimentos.

Por isso Lurdes salienta que os responsáveis pelo sector da pesca deviam colocar-se no lugar dos/as pescadores/as, pois só assim poderão dar valor e conhecer de perto as dificuldades vividas diariamente por estas pessoas e suas famílias.

Apesar da crise no sector Lurdes Moniz e o seu marido têm vontade que algum dos seus filhos fique com o barco da família “Letícia Moniz”, “talvez o mais novo” como refere Lurdes.

Um aspecto que tem vindo a suscitar alguma indignação por parte de Lurdes Moniz é a falta de informação em matéria da pesca. Os pescadores/as não sabem os seus direitos, nem o que fazer em muitas situações.

Lurdes Moniz é sócia da Ilhas em Rede, segundo ela esta associação de Mulheres na Pesca tem lhe proporcionado oportunidades únicas. Tem participado em debates e discussões sobre a pesca, trocado experiências e conhecido outras realidades através dos intercâmbios realizados pela associação.

Para Lurdes Moniz é muito gratificante fazer parte da Ilhas em Rede. Sente-se concretizada e tem aprendido muito.

Texto e foto: Joana Medeiros – Socióloga UMAR/Açores





Uma noite com os pescadores – Cátia Benedetti

1 09 2011

Entre os dias 17 e 18 de Agosto, compartilhei com três amigos uma intensa experiência no mar: quando voltámos a reunir-nos em terra, nenhum de nós encontrava as palavras para descrever a sua emoção. Essas horas permanecem em mim com extraordinária nitidez, bem como os rostos e as vozes daqueles que me permitiram vivê-las. Vi as águas negras ficarem de improviso transparentes e fervilhar de vida, vi um azul tão profundo que eu nem sequer imaginava que pudesse existir: contudo, dessa noite, não foi a indescritível beleza que me tocou mais, mas sim a rara qualidade humana daqueles que, hora após hora, fadiga atrás de fadiga, cada vez me impressionavam mais pela sua serenidade face a um incógnito presente a cada instante…

Foi assim: uma vez completadas as necessárias diligências, Martine e Miguel, Kas e eu saímos em dois barcos de boca aberta pertencentes a armadores de Rabo de Peixe que se encontravam a pescar na costa Sul. Os dois jornalistas franceses partiram de Vila Franca, no ‘Lisboa’, do Mestre José Manuel: à mesma hora, a Kas e eu deixámos Ponta Delgada no ‘Letícia Moniz’ do Mestre Artur Andrade correndo para Poente. A última luz do dia extinguiu-se, o céu e o mar confundiram-se numa única treva. Mestre Artur mandara-nos vestir os coletes de segurança: durante toda a noite os doze homens da ‘companha’ tiveram para connosco uma atitude de grande protecção, e nunca deixaram de nos explicar tudo o que acontecia. O barco, que arrastava um bote com um único homem, parou abruptamente. Uma luz fortíssima incidiu sobre as águas: a sonda revelara a presença de cardumes. Iniciou então uma actividade sem intervalos, cuja complexidade de execução tinha algo de fantástico, juntando à necessária precisão dos movimentos um esforço físico extremo. Era preciso pescar antes que a Lua estivesse alta, pois a luz dos holofotes do bote é, juntamente com o engodo, o que chama à superfície os cardumes. O barco maior, com as luzes apagadas e em alta velocidade, descreve um círculo em volta da zona iluminada, largando assim as redes: é o «enchalavar», ou rede de cerco. Enquanto o bote sai do círculo e recomeça a sua tarefa noutra zona, os homens já recolhem a enorme rede circular: «Vamos embora», encorajam-se mutuamente enquanto puxam, vencendo uma resistência que se adivinha tremenda. Um complicado jogo de cabos permite fechar o cerco por baixo, e a rede volta a acumular-se à popa, pronta para o próximo lançamento. Quando emergem os metros finais, formando uma espécie de saco, uma chuva prateada de peixes cai no barco, e o ciclo recomeça. São imediatamente devolvidos à água muitos exemplares ainda bem vivos: tudo o não é chicharro ou cavala. Nessa noite, que foi boa, atingiu-se o máximo das capturas permitidas: respectivamente 350 e 300 quilos. O valor deste peixe, após várias detracções, será dividido em partes iguais entre os homens: e uma parte igual à deles será a ‘do barco’. Dois problemas fizeram com que a pesca se prolongasse: uma falha nos holofotes do bote, cuja reparação exigiu o transborde de um segundo homem para a minúscula embarcação, e a captura involuntária de uma enorme tartaruga: durante muito tempo os pescadores lutaram para que saísse da rede sem se magoar, e quando o animal ficou novamente livre, o mais jovem gritou-lhe: «Vai com Deus!», enquanto a bordo explodia a alegria de todos. Contei dez cercos, antes do regresso. Os pescadores estavam exaustos, mas mesmo assim, em voz baixa, continuaram a falar connosco. Já de manhã, após a descarga do peixe, regressámos à terra firme: para os homens o descanso mais que necessário, para a Kas e para mim uma despedida difícil e umas memórias que nos acompanharão para sempre.

Texto: Cátia Benedetti

Fotos: Martine Frágoas e Vicent Plana

In: Açoriano Oriental, página “Voz dos Maritimos” – 31 de Agosto e 2011

 

     








Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.