Reunião núcleo da Ilhas em Rede de São Miguel, 14 de Novembro

16 11 2011

Ordem de trabalhos: Avaliação da Conferência Explorar a riqueza das Comunidades Piscatórias Ouvindo as suas Vozes”; Envelopes de Investigação; inquérito da Universidade do Reino Unido;  Formação com mulheres da pesca, inquérito apreciativo; Visita de Rose Mary Gerber, antropóloga de Santa Catarina – Brasil; Entrega de orientações da FAO;

 Presentes: Clarisse Canha; Joana Medeiros; Laurinda Sousa; Lurdes Batista; Maria dos Anjos Medeiros; Maria do Espírito Santo Ferreira; Nélia Andrade; Ursulina Andrade; Rose Mary Gerber; (antropóloga)

 A reunião começou com a avaliação, através de uma ficha, da Conferência “Explorar a riqueza das Comunidades Piscatórias Ouvindo as suas Vozes”, organizada por diferentes entidades/associações, entre elas a UMAR-Açores, e que teve lugar na Terceira e em São Miguel. No geral todas as mulheres presentes no encontro em Rabo de Peixe adoraram a iniciativa de se juntar à mesma mesa especialistas na área das pescas e pescadores/as. Apesar de terem participado especialistas de diferentes países, o problema da linga foi ultrapassado, uma vez que existiram sempre alguns/as tradutores/as. A troca de experiências e vivências foi uma mais valia para a conferência.

De seguida Laurinda Sousa explicou a todas as presentes um trabalho de investigação que está a ser desenvolvido no Reino Unido. Na conferência, mencionada anteriormente, Arthi Manohar uma das cientistas presentes trouxe uns envelopes de investigação com material para a realização de um inquérito (gravador de som, máquina fotográfica, questionários…), neste sentido estes envelopes foram entregues às mulheres da pesca presentes para que também os Açores (através das mulheres da pesca da Associação Ilhas em Rede) possam participar neste projecto. De modo a ficarem esclarecidas Laurinda explicou como se utiliza todo o material disponível.

Posto isso, Rose Mary Gerber uma antropóloga de Santa Catarina, Brasil apareceu para ficar a conhecer um pouco a UMAR-Açores e a Associação Ilhas em Rede, uma vez que se encontra a fazer um doutoramento acerca do trabalho das mulheres na pesca. Primeiro ela apresentou-se, referiu que costuma fazer trabalho de campo e por isso vai algumas vezes com as mulheres para o mar, deste modo consegue captar melhor todo o trabalho realizado por elas. Foi muito bom para todas as presentes ouvirem o testemunho de Rose que por sua vez também estava muito emocionada, ela relatou algumas das dificuldades que as mulheres da sua região sentem em ternos de reconhecimento do seu trabalho na pesca. Dificuldades que também foram encontradas nos Açores mas que felizmente, e graças a muito esforço e dedicação têm sido ultrapassadas. Depois disso cada uma das sócias presentes apresentou-se e falou um pouco de si e do seu trabalho na pesca, foi muito boa essa troca de experiências e vivências de mulheres que, apesar da distância e de muitas diferenças, entre elas culturais, têm muito em comum.

Após um interessante e breve diálogo Rose despediu-se e a reunião da Ilhas em Rede prosseguiu, Clarisse apresentou a proposta de formação para as mulheres da pesca (núcleo da Ilhas em Rede de São Miguel) sugerida pelas Descalças. Formação esta que tem como objectivo potenciar o desenvolvimento pessoal e colectivo e que se realizará a 6 e 7 de Dezembro em Rabo de Peixe.

Para encerrar foram entregues às presentes as orientações da FAO relacionadas com as categorias e características da pesca de modo a que na próxima reunião seja debatido.

Texto e fotos: Joana Medeiros

   

   





Ilídia Bettencourt mulher da pesca da ilha Graciosa

14 11 2011

Ilídia Bettencourt é uma grande mulher da pesca natural da ilha Graciosa. Em 1993 tirou a cédula marítima e vai ao mar desde esta altura. Tem um barco chamado “Lagosta” e sempre que o tempo permite sai para o mar em busca de sustento.

Ilídia não tinha qualquer ligação com o sector piscatório, pois a sua família vivia da agricultura. Foi quando casou com um pescador que teve conhecimento de uma nova realidade.

Inicialmente remendava redes, preparava a isca e o engodo, depois de alguns anos decidiu tirar a cédula marítima.

Nesta altura Ilídia sentiu-se um pouco discriminada, algumas mulheres criticavam-na por considerarem que ir para o mar era trabalho de homens. Por outro lado, os homens apesar de estranharem eram mais atenciosos e ajudavam no que podiam.

Ilídia Bettencourt tem duas filhas, e ambas estão ligadas à pesca, num sector dito de homens souberam impor a sua vontade seguindo as pegadas da mãe. Uma das filhas tem mesmo cédula marítima e vai para o mar com a mãe sempre que possível.

Apesar das dificuldades que o sector piscatório atravessa Ilídia sempre apoiou a decisão das filhas, segundo ela a crise está instalada em todos os sectores, temos que saber ultrapassá-la. Quem tem barcos deve tentar mantê-los quem não tem não é uma boa altura para investir.

Ilídia Bettencourt é sócia e membro dos corpos sociais da Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca nos Açores. Para ela é muito importante a existência desta associação que trabalha para a visibilidade e reconhecimento do trabalho das mulheres na pesca.

Ilídia refere que as actividades desenvolvidas pela Ilhas em Rede, como por exemplo os encontros, formações, e o Teatro d@ Oprimid@ têm um papel muito importante para o desenvolvimento pessoal e profissional das mulheres na pesca.

Texto e foto: Joana Medeiros

In Açoriano Oriental, página Voz dos Maritimos – 12 de Novembro de 2011





Ouvindo as vozes das comunidades piscatórias

14 11 2011

Incentivar a discussão entre investigadores/as e membros das comunidades piscatórias, foi o grande objectivo da conferência “Explorar a Riqueza das Comunidades Piscatórias ouvindo as sua Vozes” que decorreu entre 21 e 24 de Outubro nas ilhas Terceira e São Miguel.

O carácter inovador da conferência, onde participaram cientistas da Dinamarca, Islândia, Espanha, Reino Unido, Polónia e EUA, começou pela prévia auscultação de pessoas e associações ligadas à pesca nas várias ilhas, relativamente às temáticas mais pertinentes e que foram: Política de Pescas; Valorização e Comercialização de Pescado; Formação e Educação; Monitorização e Gestão de Stocks e Pesca Turismo.

Durante o encontro cada tema foi debatido em mesas redondas, com recurso a métodos interativos, em inglês e em português, de forma a incentivar a partilha e o debate de opiniões. Para o efeito cada grupo contou com o apoio de facilitadores/as, tradutores/as e redactores/as.

Na Terceira os trabalhos dividiram-se entre o Pólo Universitário da Terra Chã, e São Mateus e os/as participantes tiveram oportunidade de se movimentar por entre as diferentes mesas e posters contribuindo com a sua experiência e saber para aprofundar os temas em debate.

A Politica Comum de Pescas foi um dos assuntos que maior interesse e discussão provocou, nomeadamente a questão relacionada com as Quotas Individuais Transferíveis (QIT) e o impacto negativo que a concentração das quotas de pesca em grande companhias pode ter, nomeadamente o desaparecimento de pequenas comunidades costeiras como já se verifica na Dinamarca.

Ao nível das outras temáticas concluiu-se que uma monitorização/gestão de stocks eficiente só é possível estreitando a comunicação entre o nível de gestão europeu com o nível de gestão local, até ao nível das comunidades.

As ideias saídas do painel Educação e Formação apontam no sentido da valorização das comunidades piscatórias, na validação de competências dos seus membros e na importância da integração do mar e da pesca em todo o percurso da educação formal.

No Painel sobre Comercialização e Valorização do Pescado foi evidenciada a necessidade de uma melhor repartição das mais valias do pescado e co-responsabilização de todos/as: melhor tratamento do pescado a bordo; presença de veterinários/as e classificadores/as na lotas e seletividade na aquisição por parte dos/as comerciantes.

Relativamente ao tema pesca turismo e tendo em conta as experiências piloto que actualmente decorrem nos Açores, alertou-se para a importância do desenvolvimento de um estudo profundo e abrangente que aponte directrizes sobre como melhor integrar e desenvolver essa actividade na região.

De salientar ainda o contacto directo dos/as cientistas estrangeiros com a realidade local proporcionado pela visita às comunidades piscatórias de Ribeira Quente e Rabo de Peixe, em São Miguel. Enquanto na primeira visitaram o porto e o estaleiro, em Rabo do Peixe reuniram com mulheres da pesca, membros do núcleo de ilha da Associação Ilhas em Rede, com quem trocaram ideias e preocupações.

O Congresso financiado pela SRCTE, e na sequência do projecto EDUMAR, foi organizado em parceria pelo Grupo de Biodiversidade da Universidade dos Açores, RCE – Açores, UMAR-Açores e Associação para a Defesa do Património Marítimo dos Açores.

Texto de Laurinda Sousa

In Açoriano Oriental, Página Voz dos Marítimos 12 de Novembro de 2011

    

 








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