Cátia Botelho, administrativa no setor das pescas

27 02 2012

 Cátia Alexandra Botelho de 29 anos é natural da ilha de São Miguel e trabalha como administrativa no Sindicato Livre dos Pescadores Marítimos Profissionais e Afins dos Açores de Ponta Delgada.

O seu trabalho passa pelo atendimento geral aos sócios, ao preenchimento de documentos, candidaturas, contabilidade não organizada, entre outros.

Para Cátia Botelho é muito gratificante conseguir resolver e ou atender os associados/as que muitas vezes não sabem o que fazer ou como fazer determinadas coisas, acabando por ser um guia para muitos deles.

Cátia, contacta diariamente com homens da pesca, apesar de muitas mulheres de armadores já tratarem da parte burocrática da vida do mar. Devido a este contacto regular refere que acaba por criar uma relação de amizade e até de cumplicidade com muitos pescadores. Segundo ela, passou a fazer parte da “família” deles e eles da dela, ou seja, os problemas de muitos sócios/as são vividos de forma especial, devido aos laços que se criam.

Quando questionada sobre a situação das pescas actualmente, Cátia menciona que neste momento a situação é agonizante. São tantos os problemas e dificuldades, para além dos problemas de rendimentos mais baixos com a venda do peixe e despesas cada vez maiores, a burocracia é enorme para uma simples candidatura são necessários imensos documentos.

Em relação as medidas do Governo para o sector das pescas, são cada vez mais escassas e quando as há são mais para prejudicar do que para ajudar os pescadores. É o caso do fundopesca que já deveria ter sido activado, e para além disso são os atrasos nos pagamentos dos subsídios.

São muitos os desabafos que Cátia ouve diariamente devido à falta de rendimentos, e de apoios considerados como imprescindíveis neste momento de crise que o sector das pescas atravessa.

Como forma de tentar solucionar alguns destes problemas, segundo Cátia Botelho primeiramente deveria existir mais união entre os pescadores/armadores, por que se assim fosse juntamente com as associações de pesca que existem teriam força para fazer ouvir a sua voz. Depois o responsável pelas pescas nos Açores deveria desburocratizar o sector facilitando assim a vida a quem vive do mar. Ser mais justo no apoios a dar, e não beneficiar uns prejudicando outros.

Artigo de: Joana Medeiros

Jornal Açoriano Oriental, página Voz dos Marítimos, 18 de Fevereiro 2012 





Reunião do núcleo de São Miguel da Ilhas em Rede – 2 de Fevereiro em Rabo de Peixe

6 02 2012

Nesta reunião estiveram presentes: Clarisse Canha; Joana Medeiros; Laurinda Sousa; Lina Andrade; Lurdes Batista; Lurdes Moniz; Manuela Dias; Mª Espírito Santo Cabral e Mª Espírito Santo Ferreira.

 Como não reuníamos em Rabo de Peixe há algum tempo e, para aproveitar o grupo bastante significativo de mulheres que estavam presentes, a D.Clarisse propôs que o 1º ponto fosse identificar coisas boas e coisas más que aconteceram desde o Natal na vida de cada uma. Começando pela Lurdes Batista e terminando na Laurinda cada uma referiu os momentos de maior felicidade e também de tristeza por quem têm passado. Alguns destes momentos tiveram a ver com as suas vidas pessoais e profissionais, nomeadamente problemas que têm afectado as pescas e os/as pescadores/as.

2º ponto: a Laurinda relembrou as presentes sobre a realização do Festival de Teatro d@ Oprimid@ em Lisboa. Mencionou quais serão as actrizes que irão apresentar a peça das Gameleiras e referiu que o título escolhido foi “Quem decide as tempestades”. Depois disso leu a sinopse e recordou a data do Festival. Terminou informando o local e dia para a realização do ensaio com a Judite Fernandes (curinga).

3º ponto: Clarisse começou por dizer que no final do mês de Janeiro, participou na reunião do CCR-Sul do Grupo de Pesca Artesanal que decorreu em Lisboa, e onde se discutiu a valorização dos produtos da pesca artesanal. Estiveram presentes especialistas do sector da pesca e interessados vindos de França, Espanha, Portugal Continental e Açores e, devido á falta de tempo e às muitas intervenções a reunião não foi conclusiva, sendo por isso agendada uma nova reunião para Março. Clarisse no tempo que lhe foi dado a intervir apresentou o projecto da UMAR-Açores “Caminhos em Terra e no Mar” que tem como objectivo fazer uma compilação de receitas de chicharros e, neste sentido contribuir para o consumo de peixe nos Açores.

Por outro lado, Clarisse relembrou/informou as presentes sobre a realização da reunião do Grupo de Trabalho Insular, CCR-Sul no Faial (14 de Fevereiro) e cuja temática está relacionada com a comercialização do pescado. Por isso terminou sugerindo que fossem lançadas ideias e propostas a debater na reunião.

 Seguiu-se um momento de debate, em que as mulheres da pesca apresentaram algumas das suas preocupações relativamente ao sector da pesca. Quanto à comercialização, temática deixada no ar pela Clarisse, as presentes realçaram a sua indignação devido ao facto de o peixe ser vendido na lota a um preço extremamente baixo comparado com o que posteriormente é vendido a comerciantes e população em geral. Mencionaram ainda que têm sido publicadas e apresentadas notícias sobre o bom tempo que os pescadores/as têm tido aquando das suas idas para o mar, porém esquecem-se que apesar de terem bom tempo para irem para o mar, os pescadores/as vendem o peixe a um preço muito baixo, ganhando muito pouco por todo o trabalho que têm.

Outro aspecto que também as preocupa é o das reformas dos pescadores que têm se demonstrado muito baixas, algo inaceitável para tantos anos de descontos.

Terminamos a reunião com a frase de uma mulher da pesca que refere que “não se vê nenhum pescador rico, nem nenhum exportador pobre”, sem dúvida uma ideia que dá muito que pensar… 

Após terminarmos a reunião seguiu-se um momento de descontracção e convívio, com comes e bebes, afinal de contas era Dia das Amigas e como amigas que todas somos não podíamos deixar de comemorar este dia especial.

Texto: Joana Medeiros

Fotos: Joana Medeiros e Laurinda Sousa

    

 

 

 








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