Propostas para ultrapassar a crise

2 06 2010

Paulo Casaca, economista, ex-deputado do Parlamento Europeu, proferiu uma palestra no encontro promovido pela Ilhas em Rede –  Associação de Mulheres na Pesca nos Açores, subordinado ao tema “O Impacto da Crise na Pesca nos/as profissionais e nas famílias, na qual abordou de forma profunda as causas da actual crise económica/financeira no mundo, nacional e regional.

Após historiar as crises que antecederam a actual, nomeadamente “a que explodiu em 1929 e que num sentido estrito do termo, durou até 1933 mas que só foi ultrapassada depois da segunda guerra mundial, temos o rebentar de uma bolha especulativa que escondia profundos desiquilíbrios, nessa altura centrados no desiquilíbrio económico entre os parceiros transatlânticos”.

Sublinha que “o programa norte-americano de despesas públicas e organização dos mercados (…), não conseguiu ultrapassar duradouramente a crise, que em 1938 a economia americana, como de resto a mundial, estava a mergulhar de novo em profunda recessão e que (…) só o tremendo esforço de quem travou”, acrescentando ainda que “as guerras são formas radicais de destriução queem sentido nenhum poderiam ser vistas como outra coisa do que a mais violenta, completa e bárbara forma de colapso económico, social e humano”.

Destaca também que: “O que catapultou duradouramente a economia mundial para um dos seus mais longos e profícuos períodos de expansão (…) foi a construção duma nova arquitectura política, comercial, monetária, financeira e social de que o aspecto mais conhecido é o chamado sistema de Bretton-Wodds, ou seja, o sistema que teve como moeda base o dólar, deu origem ao Banco Mindial e ao FMI”.

Depois de analisar a nova situação política, fruto do fim da guerra fria e da emergência de novas potências económicas da qual se destaca a China, referindo como “interressante o diálogo diplomático entre as autoridades americanas e chinesas e que prefigura uma consciência (…) de que não há forma de a China ou os EUA ganharem a partida de póquer um contra outro: ou ganham os dois, ou entram os dois em colapso”.

Manifesta a preocupação com algumas políticas de potências emergentes, nomeadamente a aproximação Brasil/Irão de que constitui exemplo a recente cimeira envolvendo a Turquia.

Referindo que “em Portugal e também nos Açores, a crise não foi uma crise do nível de vida (…) começou no princípio dos anos noventa e foi uma impressionante subida anual do endividamento externo do país, fruto mais de défice privado do que do político”, sublinha “que qualquer solução para Portugal passará por cortar no tremendo défice externo e que isso há muito deveria ter sido a prioridade da política portuguesa”.

Por isso terminou com três propostas para Portugal enfrentar a crise. “A primeira é de política externa. Portugal deve alinhar firmemente pela defesa dos valores humanistas e democráticos que norteiam a nossa cultura, que são válidos para europeus como para africanos, para cristãos como para budistas ou muçulmanos. Deve apoiar o consenso e rejeitar o nacionalismo, deve procurar a equidade, o direito internacional e recusar terminantemente servir de capacho às ambições nucleares do fanatismo apocalíptico iraniano, mesmo quando escondidas por miragens petrolíferas”.

Até porque a “nova ordem internacional tem que olhar para os países, mas tem que olhar antes para os seres humanos, e de todas as revoluções mais ou menos silenciosas a que estamos a assistir, a mais importante e parafraseando aqui Lula da Silva, é a que ‘faz do século XXI o século daquelas que não tiveram chance no século XX’. Destaco aqui a “revolução” que tem determinado a emancipação das mulheres e determinará mudanças nas ditaduras”.

A segunda proposta é a de, “no palco europeu e internacional, com a consciência de que a estabilidade do Euro interessa a todos  e não apenas a alguns, defender novas regras de estabilização do Euro baseadas nos seguintes dois critérios fundamentais: controlo do défice externo e não apenas do défice público e reciprocidade e equilíbrio nas políticas, fazendo com que todos contribuam para os mesmos resultados”.

E a terceira e última tem destinatários locais e regionais, e é de que todos, mas mesmo todos, façam do combate ao défice externo, estímulo da economia local e regional e promoção do emprego as grandes prioridades políticas nos Açores”, conclui.

Fonte: Voz dos Marítimos (31 de Maio)


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