Ouvindo as vozes das comunidades piscatórias

14 11 2011

Incentivar a discussão entre investigadores/as e membros das comunidades piscatórias, foi o grande objectivo da conferência “Explorar a Riqueza das Comunidades Piscatórias ouvindo as sua Vozes” que decorreu entre 21 e 24 de Outubro nas ilhas Terceira e São Miguel.

O carácter inovador da conferência, onde participaram cientistas da Dinamarca, Islândia, Espanha, Reino Unido, Polónia e EUA, começou pela prévia auscultação de pessoas e associações ligadas à pesca nas várias ilhas, relativamente às temáticas mais pertinentes e que foram: Política de Pescas; Valorização e Comercialização de Pescado; Formação e Educação; Monitorização e Gestão de Stocks e Pesca Turismo.

Durante o encontro cada tema foi debatido em mesas redondas, com recurso a métodos interativos, em inglês e em português, de forma a incentivar a partilha e o debate de opiniões. Para o efeito cada grupo contou com o apoio de facilitadores/as, tradutores/as e redactores/as.

Na Terceira os trabalhos dividiram-se entre o Pólo Universitário da Terra Chã, e São Mateus e os/as participantes tiveram oportunidade de se movimentar por entre as diferentes mesas e posters contribuindo com a sua experiência e saber para aprofundar os temas em debate.

A Politica Comum de Pescas foi um dos assuntos que maior interesse e discussão provocou, nomeadamente a questão relacionada com as Quotas Individuais Transferíveis (QIT) e o impacto negativo que a concentração das quotas de pesca em grande companhias pode ter, nomeadamente o desaparecimento de pequenas comunidades costeiras como já se verifica na Dinamarca.

Ao nível das outras temáticas concluiu-se que uma monitorização/gestão de stocks eficiente só é possível estreitando a comunicação entre o nível de gestão europeu com o nível de gestão local, até ao nível das comunidades.

As ideias saídas do painel Educação e Formação apontam no sentido da valorização das comunidades piscatórias, na validação de competências dos seus membros e na importância da integração do mar e da pesca em todo o percurso da educação formal.

No Painel sobre Comercialização e Valorização do Pescado foi evidenciada a necessidade de uma melhor repartição das mais valias do pescado e co-responsabilização de todos/as: melhor tratamento do pescado a bordo; presença de veterinários/as e classificadores/as na lotas e seletividade na aquisição por parte dos/as comerciantes.

Relativamente ao tema pesca turismo e tendo em conta as experiências piloto que actualmente decorrem nos Açores, alertou-se para a importância do desenvolvimento de um estudo profundo e abrangente que aponte directrizes sobre como melhor integrar e desenvolver essa actividade na região.

De salientar ainda o contacto directo dos/as cientistas estrangeiros com a realidade local proporcionado pela visita às comunidades piscatórias de Ribeira Quente e Rabo de Peixe, em São Miguel. Enquanto na primeira visitaram o porto e o estaleiro, em Rabo do Peixe reuniram com mulheres da pesca, membros do núcleo de ilha da Associação Ilhas em Rede, com quem trocaram ideias e preocupações.

O Congresso financiado pela SRCTE, e na sequência do projecto EDUMAR, foi organizado em parceria pelo Grupo de Biodiversidade da Universidade dos Açores, RCE – Açores, UMAR-Açores e Associação para a Defesa do Património Marítimo dos Açores.

Texto de Laurinda Sousa

In Açoriano Oriental, Página Voz dos Marítimos 12 de Novembro de 2011

    

 


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