Angelina Freitas, gameleira da ilha Terceira

29 11 2012

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Angelina Freitas é uma mulher da pesca natural da freguesia de São Mateus da Calheta, na ilha Terceira. É filha de pescador e tem dois filhos, uma rapariga e um rapaz. Trabalha como gameleira desde 2001, ano em que voltou para os Açores, depois de viver grande parte da sua vida nos E.U.A. com os seus pais, marido e filhos.

A sua ligação ao setor da pesca começou por acaso. Quando regressou à sua terra natal encontrava-se desempregada e precisava da independência financeira que havia conseguido enquanto esteve fora. Foi então que decidiu aprender a fazer gamelas com o seu pai, e deste modo contribuir para o negócio da família, visto que o seu pai havia comprado um barco.

Assim, Angelina Freitas foi se apaixonando pelo trabalho que fazia, e hoje em dia refere adorar ser gameleira. Para ela fazer gamelas é uma profissão como outra qualquer, e é também uma forma de relaxar e descontrair, não a trocaria por outra.

Segundo Angelina Freitas o sector da pesca atravessa um período complicado, o mau tempo não permite que se saía para o mar, as pescarias são fracas e além disso são muitas as leis e burocracias que dificultam a permanência de pescadores e armadores neste sector tão importante.

Angelina Freitas é sócia da Ilhas em Rede, Associação de Mulheres na Pesca nos Açores, e para ela foi muito importante ter-se unido a este grupo de grandes mulheres, pois foi uma forma de se fazerem ouvir no meio de grupos maioritariamente masculinos e neste sentido, mostrar que também têm uma palavra a dizer, que também têm dúvidas e que também devem ser ouvidas e tidas em conta, pois tal como muitos homens trabalham para manter vivo o sector das pescas.

Texto e foto: Joana Medeiros

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Importância de uma associação na caminhada feminina na pesca: Tomaram-nos respeito!

20 11 2012

A Direcção da Ilhas em Rede (IR) reuniu a 12 de Novembro, no Faial, com a presença das cinco dirigentes desde órgão social da IR. À anfitriã e presidente Fátima Garcia, juntaram-se, vindas do Pico, Terceira e São Miguel, Ângela Rodrigues, Glória Brasil, Lurdes Batista e Clarisse Canha.

Nesta reunião de direcção decorrida quase no final do ano, a direcção debateu a atividade em 2012, tendo destacado a importância do surgimento desta associação para a valorização das mulheres na pesca artesanal.

Nas palavras de Fátima Garcia “Quando formamos a associação foi para reconhecer o trabalho da mulher… Temos trabalhado em grupo. Como somos ilhas é complicado falar com todas. O que importa é que conseguimos formar uma associação para valorizar a nós próprias.”

Fátima Garcia testemunhava ainda: “No princípio, nos anos 90, quando eu entrava, (em sítios como a Lota, espaços marcadamente masculinos) os homens começavam a «falar», mas com o tempo e a minha presença lá, isso começou a mudar.” Refere ainda casos concretos de mulheres suas colegas na pesca e da sua caminhada no sector: “Tomaram-lhes respeito”!

Para além das atividades ainda a decorrer em 2012, a direcção da Ilhas em Rede Associação de Mulheres na Pesca nos Açores debateu desde já algumas orientações para 2013, e, considerou particularmente importante prosseguir atividades de valorização profissional das mulheres e estudar uma proposta com vista à criação de uma figura do tipo de “carteira profissional” para as mulheres na pesca, particularmente as que trabalham em terra.

Em resumo pode afirmar-se que neste ano 2012 que está a chegar ao fim, se prosseguiu na afirmação da Associação Ilhas em Rede. Podemos também dizer que esta é mais uma página no movimento de valorização das mulheres na pesca artesanal decorrido nos últimos anos nos Açores assim como em Portugal continental e Europa.

Na região destacam-se, a partir de 2000, algumas acções e projetos como o projecto EQUAL Mudança de Maré, o projecto de estudo-acção sobre As Mulheres na Pesca nos Açores promovido pela da UMAR Açores o lançamento da rede de mulheres na pesca e o nascimento, em 2008, da associação Ilhas em Rede que agora prossegue a caminhada da valorização das mulheres na pesca artesanal. Nos Açores

Artigo e fotos: Clarisse Canha

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